“Tintos com alma de brancos” e opções de pratos leves para acompanhá-los.

Muitos se perguntam: “O que seria um tinto leve?” Não é tão simples responder essa pergunta focando somente na questão varietal. Apesar de algumas variedades de uva costumeiramente gerarem vinhos menos encorpados, muito do corpo do vinho pode ser definido pelo estilo de vinificação. Passagens mais curtas por madeira (ou mesmo não passar por madeira), uso de maceração carbônica, menor extração de taninos, entre outras técnicas e opções dos enólogos, pode tornar um tinto mais “leve”.

No artigo de hoje a Optimus importadora vai dar Dicas de harmonização com vinhos tintos leves. Confira!

Dessa forma, atualmente temos, cada vez mais, encontrado tintos – mesmo quando feitos com variedades que estamos acostumados a vincular com vinhos encorpados e tânicos – muito mais sutis. Hoje é possível vermos Malbec, Cabernet Sauvignon e até Tannat vinificados de modo a torná-los leves, descomplicados e fáceis de beber, inclusive durante as estações mais quentes. E foi pensando nesses tintos com “alma de brancos”, ou seja, vinhos menos encorpados e “veraneios”, que ADEGA quis montar uma pequena lista com alguns capazes de harmonizar com pratos também leves. Confira então como você pode combinar calor, pratos leves e vinhos tintos.

PINOT NOIR

É meio que um lugar comum pensar em Pinot Noir quando falamos em vinhos tintos mais leves. As características da variedade fazem com que ela raramente resulte em vinhos pesados e, além disso, quase nenhum enólogo buscaria obter com ela algo que não priorizasse o frescor e a fruta. Ainda assim, há Pinots e Pinots e, pensando no calor, é sempre bom procurar pelos menos extraídos e amadeirados. E esses podem harmonizar bem até com peixes. Experimente uma anchova recheada com cogumelos e ladeada de legumes (ou algum outro peixe de sabor mais intenso assado). Quer algo mais simples, apenas para bebericar? Coloque ao lado de um patê de jamón (ou uma terrine) ou alguns queijos de meia-cura.

Tinto elaborado exclusivamente a partir de Pinot Noir, com breve estágio em madeira. De boa tipicidade, mostras cerejas e framboesas acompanhadas de notas florais, terrosas, de ervas e de especiarias, que se confirmam no palato. De corpo médio e gostoso de beber, tem gostosa acidez, taninos de boa textura e final cativante e agradável. Experimente-o mais resfriado, a uns 14ºC, preferencialmente na companhia de pescados ou carnes magras. Álcool 14%. EM

GAMAY

Esta é a uva típica da região de Beaujolais, na Borgonha, costumeiramente vinculada a vinhos leves e refrescantes como os Beaujolais Nouveau. Mesmo sabendo que a Gamay pode gerar vinhos mais estruturados, em geral ela produz bebidas menos encorpadas, menos tânicas, primando pela acidez. E essa sutileza torna esses vinhos fáceis de beber e, melhor, capazes de acompanhar até mesmo pratos de salada. Uma Caesar Salad, é verdade, seria mais apropriada (frango grelhado, bacon e parmesão vão equilibrar melhor o vinho). Outra opção leve para acompanhar um Gamay seria um salmão ou atum grelhados acompanhados de vegetais assados.

Joseph Drouhin, Beaujolais, França (Mistral US$ 55). Tinto elaborado exclusivamente com uvas Gamay advindas da propriedade de 12 hectares de Joseph Drouhin no Cru de Morgon, sem passagem por madeira. Esbanja frutas vermelhas e negras seguidas de notas florais, especiadas e de ervas, tudo num contexto de ótima acidez, muita tensão e taninos cheios de textura. Refinado e muito gostoso de beber, tem final persistente, com toques terrosos e de couro. Álcool 13%. EM

VALPOLICELLA

Nos arredores da cidade de Verona surge um dos vinhos mais tradicionais da Itália. Os Valpolicella “básicos” (não Amarone, Recioto ou Ripasso) costumam ser vinhos menos alcoólicos, bastante frescos e fáceis de beber. Eles são produzidos com as uvas locais Corvina, Molinara e Rondinella, e algumas outras. Por sua estrutura, ele pode ser apreciado facilmente em épocas de calor e consegue acompanhar comidas como um galeto com legumes assados – ou um frango assado recheado com farofa. Prefere algo mais praiano? Experimenta ao lado de uma saborosa casquinha de siri.

Zenato, Vêneto, Itália (World Wine R$ 180). Tradicional empreendimento familiar fundado em 1960 por Sergio Zenato na região do Vêneto, elabora esse tinto a partir de 85% Corvina Veronese, 10% Rondinella e 5% Sangiovese, com estágio de 12 meses em barris de carvalho. Mostra aromas de frutas vermelhas maduras, bem como notas minerais, florais e de baunilha. É frutado e estruturado, tem acidez gastronômica, taninos que pedem comida e final de boa persistência, confirmando o nariz. Álcool 13,5%. EM

GRENACHE

Uma variedade típica da região do Rhône, mas que se dá bem em diversas partes do mundo, especialmente na Espanha, onde é conhecida como Garnacha. Por ser uma uva bastante versátil, ela é capaz de gerar vinhos dos mais variados estilos e ainda ser misturada em blends com outras. Quando vinificada de forma “simples”, gera vinhos saborosos e descomplicados. Numa época quente, um Grenache pode acompanhar bem uma “parrillada” – carnes de diversos tipos e também legumes e vegetais assados – sem empapuçar. Outra ideia para experimentar seria uma barriga de porco com purê de mandioca.

Les Jamelles, Languedoc-Roussillon, França (Winebrands R$ 75). Tinto elaborado exclusivamente a partir de Grenache, com estágio de 25% do vinho durante nove meses em barricas novas e usadas de carvalho francês. Puro suco de cerejas e groselhas, acompanhado de notas florais e de ervas frescas, tudo em meio a taninos de ótima textura, gostosa acidez e boa persistência. Fácil de gostar e de entender, parece ser menos complexo do que realmente é. Álcool 13%. EM

BONARDA

Quando pensamos em vinhos argentinos, a primeira coisa que surge na mente é Malbec. Mas não devemos nos esquecer de outra variedade bastante típica da Argentina, a Bonarda. Nos últimos anos, ela quase sempre tem sido trabalhada de forma a gerar vinhos bastante leves. Ainda assim, também tende a ser um vinho muito frutado. Dessa forma, um Bonarda pode se revelar uma ótima companhia para um dia de pizza, especialmente as com queijos e ervas, como Margherita, ou ainda com linguiças. Em uma noite com amigos, também vai fazer bonito ao lado de uma tábua de frios, com queijos e embutidos variados.

Altos Las Hormigas, Mendoza, Argentina (World Wine R$ 70). Sempre consistente safra após safra, este é um belo exemplo de Bonarda sem passagem por madeira e um verdadeiro precursor desse estilo fresco, frutado e fluido. Cheio de tipicidade, é suculento, direto e muito gostoso de beber. Mostra ameixas seguidas de notas florais e herbáceas. Tem acidez refrescante, taninos macios e final persistente. Álcool 13%. EM

TEMPRANILLO

Provavelmente a casta mais conhecida e vinculada com os vinhos da Espanha, a Tempranillo pode se mostrar de diversas formas. Ela pode gerar desde bebidas de corpo muito sutil até grandes massas encorpadas. Tudo depende do estilo de vinificação. Os espanhóis costumam classificar como “Joven” os mais leves, que não passam por madeira (ou passam muito pouco). Esse estilo mais despojado e refrescante é uma ótima opção de harmonização para hambúrgueres, por exemplo. Outra sugestão para abrir seu Tempranillo Joven é ao lado de uma paella valenciana, ou então de um polvo na grelha.

Carlos Serres, Rioja, Espanha (La Pastina R$ 76). Sempre consistente, este 100% Tempranillo, sem passagem por madeira, é elaborado no estilo “Joven” e mostra frutas vermelhas e negras frescas em abundância, acompanhadas de notas florais, minerais, de ervas frescas e de especiarias, que se confirmam no palato. Frutado e refrescante, tem gostosa acidez, taninos macios e final médio/longo, que pede a companhia de embutidos em geral. Álcool 13%. EM

PAÍS

Uma casta típica que vem sendo resgatada no Chile. Ela era usada para fazer os vinhos que os trabalhadores bebiam correntemente durante o almoço ou jantar, em um estilo que ficou conhecido como pipeño. Agora, muitos produtores têm seguido essa tradição e criado vinhos super refrescantes, “sucos de uva”, para serem bebericados sem complicações, sozinhos ou ao lado de algum tipo de comida. Assim, País pode ser um bom acompanhamento para grelhados (os mais variados) com legumes. Vale experimentar com uma abobrinha recheada, ou com gaspacho, ou também alguns outros pratos da culinária mexicana.

Roberto Henríquez, Bío Bío, Chile (La Vinheria R$ 180). Adepto da mínima intervenção, Henríquez elabora esse 100% País de vinhas de cerca de 200 anos, com fermentação espontânea (sem adição de leveduras). O resultado é um tinto que mostra um lado delicado e refinado da cepa, com a acidez refrescante, a fruta nítida e a ótima textura de taninos ditando as regras. Um autêntico lobo em pele de cordeiro, que se bebe perigosamente fácil. Álcool 11,5%. EM

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Fonte: Revista Adega


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